Após dois meses do início das blitze conjuntas do Estado e Município, os números são alentadores.
Trezentos
bares fechados e cerca de 200 aparelhos sonoros, a maioria ´paredões´
automotivos, apreendidos, queda no número de delitos como homicídio,
roubo e agressões. Este é o balanço que as autoridades da Segurança
Pública do Estado e do Município de Fortaleza fazem depois de dois meses
de operações conjuntas em Fortaleza com o objetivo de coibir o avanço
do crime.
Iniciadas
no começo de março, as ações compartilhadas envolvem policiais
militares do Batalhão de Policiamento Comunitário (BPCom), ou Ronda do
Quarteirão, fiscais das Secretarias Executivas Regionais (SERs) e da
Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), além da
Guarda Municipal de Fortaleza (GMF). As blitze são realizadas nos fins
de semana nos bairros que concentram o maior número de delitos, conforme
os levantamentos estatísticos.
Segundo o
comandante-geral da PM, coronel Werisleik Ponte Matias, os resultados
dessas "já começaram a aparecer", muito embora o trabalho esteja na fase
embrionária. "Havíamos planejado essas ações há oito meses, ainda na
gestão anterior (da Prefeitura de Fortaleza), mas só agora, com a nova
gestão, estamos concretizando as operações. O comandante do Ronda do
Quarteirão realizou um mapeamento de todas essas áreas que estão sendo,
agora, alvo das blitze", afirma Matias.
Adolescentes
Um exemplo
dessa nova ofensiva ao crime é a Barra do Ceará, onde, segundo o
comandante, foi feita uma operação inicial com o fechamento de mais de
uma centena de bares que vinham funcionando de forma irregular. Além da
falta da documentação legal (alvará), os estabelecimentos vinham
funcionando sem horário pré-estabelecido e, em vários casos, havia
ajuntamento de pessoas fazendo uso de bebidas e drogas, até
adolescentes, e com a presença de ´paredões´ de som. Também houve casos
de prisão de pessoas armadas ou que eram foragidas da Justiça, isto é,
tinha mandados de prisão em aberto.
"Na Barra do
Ceará, já estamos percebendo uma diminuição sensível dos índices de
homicídios, isso por conta também da concentração de efetivos, conforme
foi planejado e determinado pelo secretário da Segurança (coronel
Francisco Bezerra Rodrigues). Aumentamos a presença nas ruas da Barra do
Ceará e os crimes caíram", assegura. O mesmo tipo de ação vem sendo
realizada, conforme o coronel, em outras áreas de risco, como o Bom
Jardim e o Conjunto São Miguel, em Messejana.
Parceria entre Estado e o Município foi firmada
Há 15 dias, o
secretário da Segurança Pública do Estado, coronel Francisco José
Bezerra Rodrigues, manteve um encontro com o prefeito de Fortaleza,
Roberto Cláudio. Toda a cúpula da SSPDS também esteve presente na
audiência. O objetivo da reunião, segundo Bezerra, foi firmar a parceria
entre o Estado e o Município no combate à violência na Capital.
"Recebemos
do prefeito Roberto Cláudio e do secretário de Segurança Cidadã do
Município, Francisco Veras, todo o apoio necessário para que sejam
realizadas ações conjuntas e estas já estão apresentando bons
resultados. Temos já percebido a queda dos registros dos homicídios",
afirma Bezerra.
Bairros
Conforme o
secretário, operações de saturação estão sendo realizadas em bairros
como a Barra do Ceará, Bom Jardim e o Conjunto São Miguel, em Messejana,
com a presença maciça de efetivos durante 24 horas.
Pelo menos,
mais dois bairros deverão ser atingidos com medidas semelhantes, o Pici e
o Genibaú. "Já havíamos feito ações dessa envergadura em outros setores
da cidade, como o Vicente Pinzón", diz Bezerra.
Para o
coordenador da Guarda Municipal de Fortaleza, major Plauto Lima, os
números que revelam a queda no número de delitos, após o início das
operações conjuntas entre Estado e Município, precisam ainda serem
analisados, mas, segundo ele, "os indicadores estão sendo construídos".
Ele explica que as blitze fazem parte de uma política municipal de
segurança cidadã que é bem mais ampla, e envolve planos e projetos.
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Comandante geral da PM, coronel Werisleik Matias, afirma que a participação da população em fazer denúncias é de muita importância FOTO: NATINHO RODRIGUES |
"Trata-se de
um conjunto de projetos voltados a ações que fogem um pouco de planos
convencionais. Não adianta diminuir a criminalidade se as pessoas
continuarem com a sensação de medo", afirma.
Conforme
Plauto, as ações municipais de prevenção e combate à violência envolvem
estratégias multidisciplinares, além de reunir diversos órgãos como as
secretarias de Direitos Humanos, de Combate à Fome e a Coordenadoria de
Prevenção às Drogas, além do controle urbano. Essa política se subdivide
em cinco eixos e um dos principais objetivos "é a antecipação à
violência, isto é, agir antes que o conflito se estabeleça".
Para Plauto,
a participação do cidadão é de fundamental importância. ´Não podemos
deixar que a população siga pelo caminho do medo".
Desobediência provoca prisões
Alguns
proprietários de bares que foram fechados durante as ações de
fiscalização da Prefeitura e do Estado ainda resistem ao ordenamento e
já houve casos de prisão em flagrante pelo crime de desobediência.
Segundo
Plauto Lima, os casos de reincidência acontecem. Os comerciantes
decidiram, por conta própria, reabrir seus estabelecimentos sem que
fizessem sua regularização junto às Secretarias Executivas Regionais
(SER).
"Quando é
constatada a irregularidade, a Regional aplica a multa e dá prazo para
que o dono do bar obtenha a documentação necessária para o seu pleno
funcionamento, mas já tivemos casos em que eles reabriram sem
autorização legal e foram levados para a delegacia depois de receber voz
de prisão pela desobediência", assegura.
Um dos
primeiros bairros a receber as operações conjuntas da PM com a Guarda
Municipal e SER foi Barra do Ceará, na zona Oeste da Capital. Ali, as
autoridades constataram um alto índice de estabelecimentos funcionando
de forma irregular. A situação surpreendeu até mesmo as autoridades, que
acabaram interditando, pelo menos, uma centena de bares. Um deles,
situado na Vila do Mar, que reunia ´paredões´ de som todos os fins de
semana. Passados alguns dias, o ponto comercial irregular voltou a abrir
e a baderna vem se repetindo, conforme denúncias recebidas pela
Reportagem. O local, conhecido como ´Bar das Estouradas´, também é ponto
de venda de drogas.
Abusos
O
comandante-geral da PM, coronel Werisleik Ponte Matias, explica que a
participação da população em fazer denúncias é importante para o combate
aos abusos provocados por comerciantes que agem irregularmente, além
dos donos de ´paredões´, que causam perturbação ao sossego alheio.
Segundo ele, a Capital está divida em 106 áreas operacionais do Ronda do
Quarteirão e em cada uma delas as patrulhas estão atuando.
FERNANDO RIBEIRO/EDITOR DE POLÍCIA
FONTE: DN
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